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Um sítio imbecil de informação alternativa e regressiva |
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Para variar continuamos a socorrer-nos das cartas dos nossos voluntariosos leitores.
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Exmo Sr. Sou uma pessoa de fracos estudos, pelo que peço desculpa por alguma coisa menos correcta que possa dizer.
Esta ineficiência da economia planificada levava a que as lojas estivessem meio vazias. Podia ter-se dinheiro, mas não havia onde gastá-lo. Outro modelo radical, mas de sinal contrário, é o defendido pelos fundamentalistas da economia de mercado: deixa-se o mercado funcionar e ele será eficiente por si. Uma visão idílica. Cada um acredita no que quer, mesmo que sejam fantasmagorias. Como se viu o mercado não é um regulador absoluto, nem gera uma afectação óptima de recursos: há camadas da população que não têm qualidade de vida. O desenvolvimento não surge por geração espontânea, da pura mecânica económica. É mais fácil ver os defeitos nos outros do que em nós. Foi referido na crónica 3 que os Estados Unidos, modelo da economia de mercado, têm uma taxa de pobreza à volta dos 13%. Isto não é ineficiência? Só a penúria do lado da oferta e não a do lado da procura é que é ineficiência? Estão a querer fazer-me passar por pateta? Já agora, quanto a mim a pobreza real nos EUA é superior à oficial, aproxima-se dos 18%. Oficialmente em 2001 a pobreza nos EUA era 11,7%. Vá lá saber-se quem fala verdade. Desconfio que os números oficiais da pobreza tendem a esconder a verdadeira dimensão do problema. Os Estados Unidos, tendo apenas cerca de 5% da população mundial, emitem cerca de 24% dos gases com efeito de estufa e consomem parte significativa dos recursos naturais do planeta. É a economia do desperdício, com pouca reciclagem. Este modelo de desenvolvimento está esgotado, não é sustentável, nem generalizável ao resto do Planeta: seria o colapso. Isto não é ineficiência? Quando os livros de teoria económica se referem a mercados eficientes, ou a funcionar bem de que falamos? Expliquem-me. Devido a tudo isto não posso concordar com os economistas Samuelson e Nordhaus quando dizem que os EUA servem de modelo "para os outros países que procuram a via para a prosperidade". Também me questiono se faz sentido os países ricos porfiarem no aumento do PIB dada a sustentabilidade ambiental. A questão é de ordem qualitativa e não quantitativa. O crescimento do PIB não pode ser infinito. Uma coisa de que pouco se fala é a contaminação cumulativa e irreversível do Planeta. Por exemplo, o peixe dos oceanos começa a estar contaminado com metais pesados. Parece-me que a humanidade está a serrar o ramo onde está sentada. Li que a ideologia do crescimento pelo crescimento é a das células cancerígenas. A economia tem de ser sustentável, não só a nível ambiental como social. Não há maneira de fugir a isto.
As ex-ditaduras comunistas do Leste Europeu não tinham desemprego, coisa que acontece nas economias de mercado. Haver desemprego não é ineficiência? Já agora, faz sentido que empresas sólidas despeçam trabalhadores sem mais nem menos, por exemplo, só para aumentar o valor das acções e isto, muitas vezes, por pressão dos fundos de investimentos, do capital financeiro? O direito ao emprego não é um direito humano? Qual a utilidade de uma racionalização selvagem, levada ao extremo, perseguindo uma eficiência estreita, micro-económica?
Nos livros de teoria económica a ineficiência da economia de mercado é apresentada como falhas de mercado. Por aqui se vê a utilidade dos eufemismos. Só mais uma coisa, já alguém reparou que o conceito de falhas de mercado é vago, impreciso? Falhas relativamente a quê? Não é giro que a pobreza não seja considerada uma falha de mercado? Há limites para o arbítrio intelectual? António Bruto - Verdelhos de Baixo
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Exmo Sr. Sou uma consumidora
compulsiva, pobre vítima da sociedade de consumo em que
vivemos, mas isso não vem agora para o caso. Fiz uma compra
numa loja de uma grande superfície comercial. Há pessoas desonestas? Anda meio-mundo a tentar enganar o outro? Manuela Santos - Lisboa Exmo Sr. O economista Wicksell (1851-1926) perdeu um lugar de professor por se recusar a assinar a candidatura com a frase de praxe: “O servidor mais obediente da vossa Majestade”. Felizmente hoje os tempos são outros. Por exemplo, uma pessoa que por motivos culturais não use gravata não será prejudicada na sua carreira, pois o que conta é a competência. Pinto de Sousa - Elvas |
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Na crónica anterior perguntámos aos leitores qual a parte do sítio de que mais gostavam. Pela primeira vez um inquérito nosso foi conclusivo, pelo que fizémos uma festa de arromba na Redacção, que durou até às tantas e teve honras de protesto por parte dos vizinhos que se queixaram do barulho e não conseguiram dormir, durante toda a noite. A maioria dos leitores têm especial preferência pelo cabeçalho do sítio. Está de parabéns a empresa responsável pelo aspecto gráfico.
O sonho americano é o irmão-gémeo do paraíso socialista?
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