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alternativa e pensamento convencional  

 

CRÓNICA 3

 

 

NÃO É FELIZ QUEM QUER

 

 

O Banco Mundial considerava, de uma forma arbitrária, que uma pessoa que tinha mais de 1 dólar de rendimento por dia não era pobre, (1990, World Development Report).

Se o leitor auferir uma pensão de 5 euros/dia pode pular de alegria, pois, afinal não vive na pobreza, muito pelo contrário.

Este enfoque realizou um verdadeiro milagre. Países subdesenvolvidos dão-se ao luxo de ter menos pobreza que os desenvolvidos.

A ONU afina pelo mesmo diapasão. É assim que no Human Development Report (PNUD) 1997, México e Tailândia têm apenas 10,9% e 11,7% da população na pobreza.

Os Estados Unidos em 1996 (US Bureau of the Census) tinha 13,7% dos habitantes na pobreza e o Canadá em 1995, 17,8% (Concelho Canadiano para o Desenvolvimento Social).

Lê-se e não se acredita. Como é possível um erro tão óbvio? Qual a razão disto? Pretende-se mistificar a dimensão do descalabro da pobreza, esse drama sem fim à vista?

O Concelho de Redacção deste sítio resolveu, em reunião extraordinária, dar um contributo para a redução da miséria no Mundo. Propomos que se deixe de considerar pobre todo aquele que tenha mais de meio dólar de rendimento/dia.

O PNUD de 2005 considera o rendimento abaixo de 2 dólares/dia como estando dentro da pobreza. Tal em nada altera o que atrás foi dito. Com esta fasquia Portugal e outros países mais desenvolvidos pura e simplesmente não possuem pobreza. Também o Brasil e o México ficam-se pelos 22% e 16%. Isto só pode ser para rir.

Segundo o PNUD de 2005 apenas 40% da população mundial vive na pobreza. Isto é um insulto à verdade, uma falta de rigor extrema. Como é possível afirmar tal se, para além do que foi referido, os países desenvolvidos representam apenas 15% das pessoas da Terra?

Eu, prof. Karmo, que ninguém conhece de lado nenhum, defendo, do alto da minha torre de marfim e de forma peremptória, que a maioria dos habitantes do Planeta vive na pobreza e não o contrário. A pobreza é a regra e não a excepção. Pior não é possível. Tem de haver algo de fundamentalmente errado neste facto. Tal não pode acontecer por acaso. Como diz Shakespeare, algo está podre no reino das Berlengas. No entanto, existe quem encare isto com naturalidade, com indiferença. A indiferença mata.

Já não se trata de saber que Mundo se deixará às gerações futuras, mas às do presente. O séc. XXI começa mal. Uma cultura individualista e egoísta é suicidária. Uma humanidade dividida não vai longe. Quem duvida?

Como alguém disse, a pobreza e a fome não são um produto natural, mas social. Será que a prova da realidade valida isto?

Que um sítio pretensamente de humor tente vender gato por lebre, diga disparates é uma coisa, que organizações como a ONU e o Banco Mundial (que se devia pautar pelo rigor do saber económico), o façam é outra.

Há limites para o absurdo, ou não?

Com o advento da moderna ciência e técnica (revolução industrial a partir do séc.XVIII) o número de pobres e esfomeados aumentou exponencialmente na Terra. Conclusão: a ciência e a técnica não são a varinha mágica e os seus efeitos podem ser paradoxais, por incapacidade cultural do ser humano.

Os séculos da ciência e da técnica (XIX e XX) foram épocas violentas.

Grosso modo os países subdesenvolvidos constituem as colónias das antigas potências europeias. Será por acaso?

Como o fenómeno da explosão demográfica não está controlado, prevê-se que a população mundial passe dos actuais 6 milhões para os 9 mil milhões dentro de alguns anos. O número de esfomeados vai continuar a aumentar. Devido a que a população mundial não pode crescer sempre e existe uma correlação positiva entre a pobreza e a fecundidade, o futuro não se apresenta risonho.

 

CARTAS DO LEITOR

 

Exmo Sr.

O meu cão não tem um corpo Danone. Farto-me de lhe dar iogurtes e nada.

Estou a ser vítima de publicidade enganosa?

Paulo Tentúgal (Moita)

Exmo Sr.

Namoro um rapaz bonito, com sentido de humor, carinhoso e além disso tem uma qualidade extra: é de muito boas famílias.

No entanto não é perfeito. Como pode verificar na fotografia que lhe envio, tem um dedo do pé torto.

Acha que devo casar com ele?

A despropósito, o facto de haver quem viva na pobreza não me tira o sono. Sou a favor da qualidade de vida, mas não necessariamente da dos outros.. Como foi sublinhado antes, o Mundo não tem de ser para todos. É importante dizer que sou uma pessoa de valores?

Ana Luisa (Carregado)

 

Exmo Sr.

Para mim patriotismo é não aceitar que haja portugueses sem qualidade de vida. Esta concepção incomodará quem tem uma visão mitigada ou mesmo balofa do mesmo?

Joana Lemos (Bemposta)

ESCLARECIMENTOS:

 

 

Na última crónica perguntámos aos nossos leitores se achavam que os portugueses tinham suficientemente génio para fazer um país de qualidade total (isto falando em termos de gestão), onde se acabe com a pobreza e todos tenham qualidade de vida.

Por dificuldades técnicas o inquérito foi inconclusivo. Iremos continuar a tentar. No entanto alguns leitores fizeram-nos notar que a fasquia está muito alta. Para quem? O leitor Sousa Portas de Vimioso interpela-nos mesmo se acreditamos realmente que é possível acabar com a pobreza e se somos vendedores de sonhos.

Perguntam-nos o que é a soldadura oxídrica. Folheámos várias enciclopédias e todas falam nisso. Basta consultar uma.

Também houve quem quisesse saber quem era o autor das pinturas do castelo e dos barcos e das de Granada e Córdova, que hão-de aparecer nas próximas crónicas. Informamos que se trata de um pintor medíocre que, de certeza, não há-de figurar na História da Pintura.

 

TEMA DA PRÓXIMA CRÓNICA:

 

A história do cão de Pavlov.

 

FRASE DA SEMANA:

 

"Uma das formas mais graves de cegueira é a intelectual."

Anónimo

 

APÊNDICE (leitura facultativa)

 

Entrevista ao Le Monde (7/9/1999) dada pelo economista Robert Reich, secretário do emprego entre 1993 e 1996, no governo de Clinton:

“Existe (nos EUA) uma categoria de trabalhadores com horário completo que não ganham o suficiente para sair da pobreza. Esses «working poors» são em número de 12 milhões(...). Os europeus devem conhecer a face oculta do êxito americano: mais insegurança, muitos empregos mal pagos e desigualdades que se aprofundam entre os assalariados que empobrecem e uma minoria que enriquece cada vez mais rapidamente”.

Na nossa opinião, este Robert Reich é um radical que entrou, sabe-se lá como, para o governo dos Estados Unidos.

Nota: Os economistas Samuelson (Prémio Nobel 1970) e Nordhaus no seu livro «Economia» também afirmam que os EUA são um lugar de extremos de riqueza.

 

PERGUNTAS INCÓMODAS E INOCENTES

 

O facto de haver pobres nos Estados Unidos significa que a economia de mercado é incapaz de acabar com a pobreza? Estamos em presença de uma ineficiência social?

Apesar de os EUA terem bastantes Prémios Nobel da Economia ainda não conseguiram pôr fim à pobreza. Aqui há gato?

Quem ousa tirar as devidas ilações dê um passo em frente.

 

Exmo Sr.

Deve entreter-se o povo com balelas e informação irrelevante. Como diria um primo que tenho no Brasil: andar nos entretantos e não ir aos finalmente. O vulgo, o povão não deve ter meios nem tempo para pensar, a não ser a um nível básico (pensamento concreto). Quanto muito poderá ter um saber compartimentado (ver a árvore, mas não a floresta).

Um amigo meu, que por acaso sofre do complexo de superioridade, diz que adora pigmeus intelectuais.

Há aqui uma teoria da conspiração?

João Sousa (Odemira)

 

Alguns leitores perguntam-nos se o NIB, que apresentamos no lado esquerdo do ecrã, é a sério ou a brincar. Lamentamos informar que é a sério.

 

 


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