Um sítio pretensamente de humor e de analfabetismo mental |
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AVISO Esta crónica é chata e dolorosamente longa. Daremos uma indemnização aos leitores que conseguirem lê-la. |
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BIOGRAFIA DO PROF. KARMO |
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Este não é um sítio para promoção pessoal. Contudo, a pedido de várias famílias e para poderem aquilatar a pouca credibilidade do seu director, aqui vai uma curta e singela biografia.
O Prof. Karmo nasceu num bairro degradado (vulgo bairro da lata) da periferia de Lisboa, filho de um operário fabril e mãe doméstica. Tem a mania de que é especialmente inteligente e considera-se um cartoonista falhado. Subiu na vida a pulso. Licenciou-se em Física Quântica pela Faculdade de Ciências Empresariais. Tirou um curso por correspondência de ciência jurídica e outro de ciências ocultas. Ainda frequentou um curso nocturno de socialismo científico, mas acabou por desistir. Modéstia à parte, o Prof. Karmo considera-se um expert em comportamento animal e em Teoria do Conhecimento aplicada à soldadura oxídrica. Também fez uma incursão na cultura regressiva, concretamente a numerologia, sobre a qual publicou um livro, que foi ostensivamente ignorado pela crítica. Como é do conhecimento geral, o saber científico tem determinadas particularidades. No entanto, por uma questão de prestígio e não só, costuma-se colá-lo impropriamente a outros saberes e não há nada que acabe com tal fatalidade, nem ninguém se rala com isso. O Prof. Karmo tem um sonho: escrever uma enciclopédia de economia, em 40 volumes, quando se reformar aos 90 anos. Actualmente produz videojogos violentos para crianças, consciente de que é preciso formar no presente as gerações do futuro. Quanto mais bestas e predadores houver no Mundo, mais este será um lugar fácil para viver. Inteligente como é, o leitor ter-se-á interrogado como é possível fazer um curso de Física das Partículas numa faculdade de Economia. A realidade é una. A Física tem que ver com a Economia, como mostra o exemplo a seguir.
Suponhamos dois astronautas no espaço que se aproximam um do outro. Um dirá que está parado e é o colega que vem em sua direcção. O outro afirmará o inverso. Ambos os raciocínios são verdadeiros. A realidade depende do ponto de vista do observador, é polissémica. Todos vêem o real, mas não da mesma maneira.
Há coisas que pisam a mais elementar lógica. Atentemos no problema da pobreza, questão primordial e incontornável, pois trata-se do acesso ou não das pessoas à qualidade de vida. Haverá quem diga que com a ciência e a técnica não há razão para ela existir, não é uma fatalidade. Constitui uma patologia social e produto de um ordenamento humano ineficiente, disfuncional. Para além disso, é um muro ao desenvolvimento e fonte de chatices: por exemplo, dificulta o controlo das doenças infecto-contagiosas. A pobreza gera pobreza, fica cara. Querer o desenvolvimento e manter a pobreza são objectivos contraditórios, é óbvio.
Onde uma pessoa percepciona um problema, algo que não bate certo, a outra não concebe tal, está acomodada e sem grandes problemas de consciência, não se questiona. E com este modo de ver temos o caldo entornado. A existência não tem sentido sem qualidade de vida. Tão simples quanto isso. Alguém que viva na pobreza ou sem qualidade de vida não é livre.
Visões diferentes do mundo levam a modos diferentes de agir sobre a realidade. O modelo do cérebro humano é neste sentido o do computador. A leitura que cada um faz da realidade, de como a percepciona depende do seu software intelectual: da sua cultura e saber. Sob o ponto de vista técnico trata-se de uma questão de sinapses cerebrais. Existe quem não queira dar-se ao trabalho de pensar. Não há desenvolvimento fora dos padrões culturais, sem cultura adequada. Se se aceitar a pobreza ela jamais acabará. O subdesenvolvimento cultural leva a uma menor qualidade de vida. Esta é a medida da civilização e o resto é conversa. Também a tecnocracia só por si não leva ao desenvolvimento, representa uma miragem. Uma grande expansão da ciência, da técnica e da produtividade pode coexistir com bastante pobreza e miséria, como é fácil constatar. A cultura e os direitos humanos são um factor de produção. Há que ter visão estratégica (como agora é moda dizer) e não horizontes estreitos. O capital humano (saber tecno-científico e cultural) é condição do progresso. Mais, desafio qualquer um a provar que os direitos humanos não são permissa do desenvolvimento. Ideias erradas representam uma prisão. É o problema da obsolescência do conhecimento. A actual teoria económica é essencialmente técnica. Pouca relevância dá aos factores culturais e mesmo políticos no desenvolvimento económico. Tende apenas a enfatizar o espírito empreendedor. O leitor também terá reparado que o conceito de Ciência Económica indicia, ainda que subtilmente, que não há políticas económicas, mas sim apenas uma, a autêntica, que deriva de uma dita ciência económica. A política tende a reduzir-se a uma decisão tecnocrática, como se fosse possível desligar as medidas económicas de objectivos políticos. Eu há vezes pasmo como é possível a persistência de uma visão tão reducionista da economia. Não há economia pura. A questão das taxas de juro é uma questão política e não meramente técnica, por exemplo. É elementar que os saberes, as técnicas, a competência não são neutros, não valem por si, sem objectivos definidos. No entanto a ideia contrária está bastante difundida. A ciência e a técnica são usadas de uma forma positiva ou negativa. Na 2ª Guerra Mundial (1939-45) as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasáki são arrasadas por 2 bombas nucleares, que matam centenas de milhares de civis. Muitos perecerão lentamente num sofrimento indescritível. Na ex-União Soviética (anos 60 e 70) a psiquiatria era usada para «tratar da saúde» aos dissidentes. As ciências sociais, incluindo a Economia, estudam pessoas e não objectos. Têm de ter atenção aos propósitos humanos. Não faz sentido uma formalização económica fechada sobre si mesma, independentemente das finalidades. Uma economia só é eficiente se conduzir à qualidade de vida. No passado histórico muitas vezes a economia e a violência andaram de mãos dadas. A Europa cristã exterminou grande parte dos naturais do continente americano e desenvolveu o tráfico de escravos a uma grande escala (comércio triangular). Uns subordinam aos seus interesses os outros, que são vistos apenas sob o ponto de vista económico. A escravatura é um exemplo em que o ser humano está ao serviço da economia e não o contrário. Há uma lógica económica invertida e uma criação de riqueza perversa, em que não se olha ao preço humano. Hoje em dia, segundo a UNICEF, largas dezenas de milhões de pessoas são vítimas do trabalho forçado ou escravo (incluindo crianças). A economia não é neutra.
Nas ex-ditaduras comunistas do Leste Europeu havia um saber económico ligado à planificação. No Ocidente, o saber económico era substancialmente diferente. Não é correcto falar numa ciência económica universal, mas de diferentes saberes económicos ligados a diferentes modelos e finalidades sociais. Estamos em presença de uma falta de acerto conceptual e analítico, de um erro cognitivo magistral, que mistura alhos com bugalhos. Tal não tem só consequências epistemológicas, se me é permitido falar caro. Há que pensar com rigor, não cometer erros de lógica e assim aguçar o engenho. Sociedades diferentes têm regras e leis económicas diferentes. Basta abrir os livros de História para verificar tal. O saber económico não é uma Química ou uma Física. A ciência não é uma questão de opinião.
Toda esta problemática remete-nos para a questão levantada pelo filósofo Wittgenstein (1889-1951) sobre a relação entre o discurso linguístico e a realidade. Ver não é compreender. Nem tudo o que parece é. O discurso que fazemos sobre a realidade pode não ser verdadeiro, mas enviesá-la e ter um efeito de ocultação. Isso acontece de uma forma intencional ou não, pois nem todos somos inocentes. Por vezes, a procura da verdade objectiva torna-se um verdadeiro jogo de espelhos. Em resumo, a linguagem pode levar a uma distorção cognitiva. Tal é, por exemplo, o objectivo da propaganda. Há quem tenha o poder de impor signos (palavras, por exemplo) e significados. Como diz o provérbio, quem não sabe é como quem não vê e quem sabe muitas vezes só foca o aspecto da realidade que lhe interessa. Trata-se de um caso de informação assimétrica, muito usada para enganar o parceiro, para fazer batota, isto falando prosaicamente. O leitor arrisca-se a que lhe enfiem o barrete. Talvez não saiba o que o espera, o que se está jogando. A coisa pia fino. Mas quem sou eu para afirmar tal? A Teoria do Conhecimento mostra que não há maior cego do que aquele que não quer ver. Existe quem se obstine perante a evidência. Como alguém disse, há uma luta entre a aparência, por um lado, e a verdade e a objectividade, por outro. A questão da ignorância e da honestidade intelectual é mais complicada do que parece. Quem possui a informação tem poder. O saber é tão importante como a ignorância ou uma insuficiente compreensão da realidade. Para ser mais rigoroso, muitas vezes a verdade é um pormenor secundário, como adiante mostraremos. É por isso que estamos aqui para ajudar à confusão. Usaremos o velho e estafado método das falsas lógicas, das falácias. O saber não é cumulativo, mas descontínuo. A emergência de uns saberes tende a ter como corolário a saída de cena de outros. Saber para quê? Há saberes e saberes. Nem todos se equivalem. Há informação e práticas que são ineficientes, tendo em vista a qualidade de vida. Representam uma afectação de recursos que é desperdiçada. É como apontar ao lado do alvo. Eu próprio questiono a utilidade das minhas baboseiras e cartoons. A qualidade da informação (tecno-científica e cultural) é crucial. O sistema educativo deve reflectir isso e ter uma componente humanística (os direitos humanos). Há que investir na inteligência. O futuro passa por aqui.
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A GRANDE QUESTÃO: Acha que os portugueses têm inteligência e talento suficientes para fazer um país de excelência, de sucesso, onde se acabe com a pobreza e todos tenham qualidade de vida?
Assinale com uma cruz (a tinta preta) a sua resposta Como o leitor deve ter reparado esta pergunta pressupõe que a inteligência não serve só para enfeitar o ser humano. Paradoxalmente consideramos quixotesca a ideia de fazer um País sem pobreza e onde todos tenham qualidade de vida (tarefa complexa). É como se alguém no apogeu da escravatura do Império Romano pretendesse acabar com ela (escravatura).
"Quanto mais o povo for ignorante melhor para mim." Anónimo "O ser humano vive em sociedade. Mas isso não quer dizer que esta beneficie todos." Do mesmo anónimo
Nota: Esta última frase remete para a Teoria dos Jogos (uns ganham, outros perdem). Só por curiosidade, no póquer procura-se vencer enganando os adversários acerca das nossas intenções.
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Exmo. Sr. Não compreendo por que há pessoas com qualidade de vida e outras sem tal. Sou lerda? Eça de Queirós – Lisboa
Exmo. Sr. O meu marido é um working poor, ou seja, o seu ordenado é muito baixo, não tem aquilo a que a Organização Mundial do Trabalho (OIT) chama «emprego decente», que permita viver com dignidade e seja factor de integração social, isto apesar de ele realizar um trabalho útil e necessário à sociedade. Assim ando à procura de trabalho. Há dias fui a uma entrevista, em que me perguntaram se estava à espera de engravidar nos próximos anos. Esta indagação trazia água no bico? Já agora, o direito à qualidade de vida é uma verdade clara e evidente e uma questão civilizacional? Francelina Lopes (Moita)
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Estatísticas não à moda do Porto, mas do Banco Mundial. |
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